Deputado Lídio Lopes, com aval de Barbosinha e Gerson Claro quer proibir o uso do povo na tribuna

14/07/2019

Sem mulheres, Assembleia Legislativa deve aprovar projeto para tirar o povo da tribuna.

Em tempos sombrios da política brasileira, a democracia deve ter mais retrocesso em Mato Grosso do Sul. Sem nenhuma representante do sexo feminino, a Assembleia Legislativa deve aprovar projeto que cassa a palavra dos representantes do povo da tribuna. A iniciativa é do deputado estadual Lídio Lopes (Patriota).

 

Na quarta-feira (10), o projeto teve parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça da Casa de Leis. Para o relator, o atual líder do Governo, Barbosinha (DEM), a proposta não é inconstitucional. O parecer teve o aval ainda dos deputados Gerson Claro (PP) e Lídio. Marçal Filho (PSDB), que foi um dos autores, não votou.

 

A votação foi adiada porque o jovem deputado João Henrique (PR), em primeiro mandato, pediu vistas do projeto. Como tem a assinatura da maioria dos parlamentares, inclusive do presidente, Paulo Corrêa (PSDB), a participação popular está com os dias contados no legislativo estadual.

 

A proposta é mais uma ofensiva dos tempos tenebrosos vividos pela sociedade brasileira, onde toda hora surgem medidas que retrocedem no tempo em questões de combate à corrupção, participação social, respeito às diferenças e mais transparência no serviço público.

 

Após 21 anos de ditadura militar, onde era proibido até realizar uma simples reunião para discutir melhorias no bairro, a sociedade sul-mato-grossense avançou nas conquistas.

 

O ponto alto era a participação de representantes de movimentos sociais, sindicatos, grupos, segmentos, entidades e empresários da tribuna durante as sessões do legislativo.

 

Pela proposta de Lídio, Barbosinha, Marçal e Gerson Claro, só um deputado poderá usar a palavra após a "Ordem do Dia", quando são votados os projetos. E o pequeno e grave detalhe, só poderá falar de assunto referente à entidade ou instituição anotada com antecedência, sem debates nem apartes. O político estará sujeito à quebra de decoro e de ter a palavra cassada pelo presidente.

 

O mais grave ainda, nenhum representante do povo poderá usar a palavra durante as sessões. No maior retrocesso da história do legislativo, apenas um deputado estadual poderá subir à tribuna para falar em nome do sindicato, entidade, movimento social ou instituição. O púlpito passará a ser lugar sagrado, proibido aos demais mortais.

 

“É vedado o uso da tribuna por terceiros, que não seja deputado”, propõe Lídio, esposo da vice-prefeita da Capital, Adriane Lopes (Patriota). Ele poderá voltar às ruas no próximo, caso ela continue integrando a chapa de Marquinhos Trad (PSD).

 

O desejo dos deputados é que os representantes de sindicatos, entidades e empresários só falem fora do legislativo.

 

A proposta representa retrocesso no legislativo, que, pela primeira vez em décadas, não conta com nenhuma mulher no plenário. As últimas representantes do sexo feminino foram Mara Caseiro (PSDB) e Antonieta Amorim (MDB). A primeira não conseguiu a reeleição, enquanto a segunda desistiu da política.

 

O legislativo estadual, um dos mais importantes poderes da democracia, não deveria excluir os representantes dos movimentos sociais, empresários, sindicatos ou qualquer outro segmento da sociedade civil organizada.

 

Pela proposta, o povo só poderá ser manifestar nas audiências públicas, que não contam com a participação de todos os deputados.

 

Aqui não se pode usar nem o eufemismo de que de boas intenções, o inferno está cheio. Nem boa intenção é. Os deputados são representantes e servidores do povo.

 

A exclusão do povo deixa um mistério a ser desvendado, o que foi dito na tribuna de tão grave e ofensivo para magoar os nobres parlamentares a ponto de não quererem, nunca mais, abrirem o microfone ao dono do voto, O ELEITOR?

 

Fonte: ojacaré

Jornalista: Edivaldo Bitencourt

 

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